A Caixa Econômica Federal suspendeu, desde o dia 16 de março, os serviços de Pix Saque e Pix Troco nas casas lotéricas para clientes de outras instituições financeiras. A medida atinge mais de 13 mil unidades em todo o Brasil e, até o momento, não teve seus motivos detalhados oficialmente.
As lotéricas, que atuam como correspondentes bancários e estão presentes em grande parte dos municípios brasileiros, seguem oferecendo normalmente outros serviços, como pagamentos, depósitos e apostas. No entanto, a retirada dessas funcionalidades específicas reduz uma importante alternativa de acesso ao dinheiro em espécie para milhões de usuários.
Criados pelo Banco Central do Brasil em 2022, o Pix Saque e o Pix Troco ampliaram a inclusão financeira ao permitir que clientes de qualquer banco realizassem saques em estabelecimentos comerciais. No primeiro caso, o usuário transfere um valor via Pix e recebe o dinheiro em espécie. Já no segundo, é possível pagar uma quantia maior e receber o troco em dinheiro.
Com a mudança, essas operações passam a ser restritas a clientes da própria Caixa dentro das lotéricas, embora continuem disponíveis em outros estabelecimentos habilitados. Na prática, a decisão impacta principalmente pessoas que utilizam as lotéricas como principal ponto de acesso a serviços financeiros — especialmente em regiões com menor presença bancária.
De acordo com dados do Banco Central, cerca de 60 milhões de brasileiros ainda não possuem conta em bancos tradicionais, o que reforça o papel das lotéricas como canal essencial de atendimento.
A Federação Brasileira das Empresas Lotéricas (Febralot) manifestou preocupação com a medida, destacando que o Pix Saque é um serviço estratégico tanto para os usuários quanto para a sustentabilidade da rede lotérica.
Diante da ausência de explicações mais detalhadas, clientes que não possuem conta na Caixa precisam buscar alternativas para realizar saques via Pix, como caixas eletrônicos, agências bancárias ou outros estabelecimentos credenciados.
Fontes: Caixa Econômica Federal e Banco Central do Brasil.